DATA: 02 de Setembro de 2003
            TRECHO PERCORRIDO:
Tuculutan (GUATEMALA) »
                                                                 La Esperança (HONDURAS) )
          KILOMETRAGEM: 410 Km
      CONSUMO DIESEL: 43 litros
   CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Nublado
e chuva

              Com quase 90 dias de viagem, tivemos situações diversas de tranqüilidade, tensão, nervosismo, temperança, alegria e tudo mais. Mas hoje, um dia especial de real aventura e momentos de indignação. Explico-lhes sucintamente para que não seja enfadonho e moroso.

Saímos hoje realmente bastante cedo, e por volta de 6:40h. já estávamos no asfalto. Apesar de sairmos cedo, sabemos que o rendimento aqui na América Central é muito baixo, pela precariedade das estradas e trânsito infernal nas grandes cidades. A média de km por hora é muito baixa, em torno de 40 ou 50 km/h. Chegamos então a fronteira com Honduras em Esquipulas. Para darmos saída da Guatemala foi muito tranqüilo e rápido. Um bando de rapazes abordou-nos, chegando a subir no carro como se fossem, perdão da palavra, macacos. Tive que parar o carro e dizer-lhes a portas fechadas que não sairia dali enquanto não saíssem do carro e ficasse apenas um deles para nos auxiliar nos trâmites. Na verdade não queríamos nenhum deles, mas foi a única opção. Depois de alguns minutos de espera conseguimos o intento e fomos aos trâmites para dar entrada ao país de Honduras. Uma confusão e desordem total na fronteira. Já sabíamos disto, pois presenciamos em nossa vinda uma série delas aqui na América Central. Os ânimos devem ser preparados para isto, mas sempre nos surpreende a incompetência e corrupção que ali se cria e se vive. Fomos então vítimas desta corruptela. Quando fizemos a documentação de importação temporária do veículo deveríamos ser cobrados em no máximo 20 dólares. Disse-nos o atendente que nos cobraria 100 dólares para passar nossos documentos à frente de outros, pois havia muito trabalho. Mentira deslavada. Queria pois um ágio. Negociamos e conseguimos então por 70 dólares. Todos estavam corrompidos ali naquele estabelecimento, víamos isto na expressão dos mesmos. Para que as coisas não se complicassem aceitamos o ágio. Ficamos é claro mordidos, e de mãos atadas, querendo fazer uma denúncia, mas resolvemos que seria mais prudente calar-nos, pois estamos em terras estranhas e povo guerrilheiro e perigoso. Não bastasse isto, saímos dali e ao rodar quase 20km percebemos que o documento estava errado com a data de validade para circularmos em Honduras vencendo hoje e não em uma semana como havíamos solicitado. Retornamos de carro até a fronteira novamente e pedimos que fosse retificado. Outro erro ali constava como que o carro fosse dos EUA. Haja paciência para tanta incompetência.

Fomos seguindo então em território hondurenho. Estradas similares a Guatemala. Uma pequena parada em Santa Rosa de Copan, uma das cinco cidades maiores de Honduras, com 85mil habitantes. Ali almoçamos e resolvemos fazermos um balanceamento das rodas dianteira, pois estavam os pneus gastando irregularmente. Descobrimos que estamos com um vazamento no sistema hidráulico de direção e um amortecedor dianteiro danificado. Nada muito grave, mas que exigirá mais cautela da que temos empreendido.

Honduras conta atualmente com cerca de 6 milhões de habitantes em seu território. Parece-nos um país muito carente e pobre. Parece que estamos voltando ao tempo na rusticidade e pobreza.

De repente a estrada e seu asfalto somem. Pensávamos ser apenas um trecho pequeno. Enganamos-nos, ficamos assim durante quase três horas rodando em estrada péssima e perigosa. Em um trecho com lama e descida o carro derrapou e exigiu muita calma para vencermos a situação. Tudo certo e pedra e mais pedra pela frente. O tempo foi passando, chuva forte as vezes caía para dificultar ainda mais a viagem. Anoiteceu rapidamente e a velocidade média era de 20 a 30 km/h. Chegamos em uma cidade chamada de La Esperança. Assustadora em sua aparência. Ruas em barro ou pedras rústicas. Abordamos um policial que já se retirava de seu trabalho e este nos orientou para que pegássemos ali perto um hotel e amanhã pela manhã seguíssemos viagem passando pela capital de Honduras - Tegucigalpa. O dia de hoje foi realmente desbravador, aqui no meio da América Central. Saudades do Brasil.

A moeda corrente de Honduras é a lempira. 17 lempiras equivalem a um dólar.

   

Abraços                                  

Charles e Christian Dadam