DATA: 03 de Setembro de 2003
            TRECHO PERCORRIDO: La Eesperança (HONDURAS) »
                                                                    Esteli (NICARAGUA)
          KILOMETRAGEM: 418 Km
      CONSUMO DIESEL: 44 litros
   CONDIÇÕES CLIMÁTICAS:
Sol

              Hoje pela manhã, bem cedo, a saída de La Esperança foi tranqüila pois logo avistamos asfalto à nossa frente, após termos, no dia anterior enfrentado um longo percurso de estrada de terra.

Um acontecimento particular ilustrou-nos a passagem por La Esperança. Um rapaz de 28 anos, funcionário do hotel onde passamos a noite, bateu a porta de nosso quarto e perguntou- nos se podíamos levá-lo aos EUA. Era seu sonho. Pretende construir sua casa e ajudar sua família. Tem um filho de 11 anos e esposa e ganha cerca de 180 reais por mês. De certa forma cortou-me o coração ao presenciar seu pedido. Não tinha sequer identidade, e na sua idéia parecia ser fácil concretizar seu sonho. Achou que éramos americanos, e sempre pronto para ajudar, cedo lá estava pela manhã para auxiliar-nos nas malas. Tive então uma conversa com o mesmo e expliquei-lhe suscintamente o procedimento de passaportes, vistos e tudo mais. Pediu-me ainda para ver o dinheiro americano, já que nunca tinha pego um dólar na mão. Ofertamos-lhe uma camiseta, e a ele disssemos para continuar sonhando: "mire el cielo, suenhe, suenhe, para que un dia puedes alcançar una estrella". Pessoa simples, humilde, e de bom coração. Ficara no pensamento de nosotros assim como tantos outros sonhadores deste mundo ainda subdesenvolvido.

Chegamos então depois de rodar 180km chegamos à capital de Honduras - Tegucigalpa. Já tínhamos estado aqui em nossa vinda, e continuamos com a mesma impressão ruim da cidade. Casas populares sem reboco espalhadas por todo o município. Desordem nas construções sem padronização alguma, trânsito irrequieto, buzinas a todo momento faziam desta mais uma capital de terceiro mundo. Fomos ao centro novamente para mais um reconhecimento e pequeno passeio: igreja, praça, internet, lojas, etc. Qualquer deslize que se faça ou indecisão numa tomada de direção você leva um buzinaço sem a maior cerimônia. Tudo numa boa, é a regra do trânsito. E assim se movimenta a cidade, com pessoas circulando entre os carros. Vale a pena presenciar e sentir saudades de um trânsito mais disciplinado ou melhor, aprimorarmos nossa maneira de dirigir.

Também estivemos no Estádio Nacional, onde joga o Olmpia - time oficial de Tegucigalpa, assim como outro time os Mortagua. Lá compramos uma bandeira do país hondurenho. Fotos no estádio e fomos embora. Hoje teria jogo com um time de San Pedro Sula - cidade mais ao norte, e domingo um clássico entre Olimpia e Mortagua.

Ao sairmos da cidade, tivemos dificuldade, e gastamos um tempo considerável até que achássemos o caminho. Para isto fomos a Universidade Nacional de Honduras onde nos deram informações mais precisas. Simplesmente não há placas de sinalização e orientação para turistas. Precariedades primárias a nosso ver para uma capital.

Nos dirigimos então a fronteira com Nicarágua em Las Manos. Ao abastecermos o carro próximo a aduana fomos vorazmente invadidos por rapazes que queriam nos ajudar para os famosos trâmites. Conversamos, batemos fotos com os mesmos. E os dispensamos, pois resolvemos fazer os papéis por conta própria. A saída de Honduras foi tranqüila e rápida, aproveitei para fazer uma denúncia pelo fato de termos sido majorados na aduana de entrada em Honduras. Apenas um reclame informal e desabafo.

A fronteira com Nicarágua também nos causou boa impressão, tudo funcionou bem, sem muitas pessoas importunando para os papéis, apenas uma novidade de um pagamento de seguro para o carro que não havíamos feito até então. Nova legislação nicaraguense. O rapaz foi gentil e honesto mostrando-nos a lei editada a pouco tempo. Uma hora e meia e tudo estava terminado, e já estávamos em terras nicaraguenses. Povo conhecido por suas guerrilhas. A frente a estrada mudou tremendamente para melhor. Asfalto de alto nível nos deu conforto e humor para percorrermos nosso caminho de volta. Assim guiamos mais 150km e paramos na cidade de Esteli e um hotel para viajantes nos deu o ponto de parada. Alguns interessados vieram–nos questionar sobre a viagem. Mais alguns minutos de papo e a noite vinha adentrando, chamando-nos ao sono repousante. A todos também nossa boa noite.

   

Abraços                                  

Charles e Christian Dadam