|
DATA: 12 de
Setembro de 2003
TRECHO PERCORRIDO: Pamplona COLOMBIA –Chururu VENEZUELA
KILOMETRAGEM: 200 Km
CONSUMO DIESEL: 22 litros
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Sol
Estamos na sexta-feira e podemos dizer que foi um
dia que nos exigiu muita paciência e autocontrole. Foi um dia de
aduana sul americana. Isto é: espera, espera e espera por
trâmites, papéis, vistorias, autorizações, militares em todos
os cantos, cambistas, confusão de trânsito, informações
desencontradas, pessoas que nos atendem mal, com mau humor e de um
automatismo de assustar e impessoalidade fria. Este é o nosso
último país que estaremos atravessando, fora nosso querido
Brasil.
Venezuela, um
país com 32 milhões de habitantes. Um dos grandes produtores de
petróleo mundial. População ainda pobre e com muitas
dificuldades. Hugo Cesar Chaves seu presidente. Uma pessoa
polêmica e com características peculiares, vem enfrentando crise
após crise.
Chegamos à
fronteira com Venezuela às 9:00horas da manhã e após enfrentar
um trânsito congestionado em frente a aduana, primeiramente demos
baixa em nosso visto no setor de imigração. Achando ser ali no
mesmo local o cancelamento de nossa permissão para dirigirmos na
Colômbia, disse-nos o fiscal que retornássemos a cidade de
Cucuta e nos dirigíssemos ao setor do dian (direcion de impuestos
aduaneiros internacionais). Assim fizemos e lá se foram duas
horas e meia, e mais de 50 km rodados. Retornamos então a
fronteira e novamente trânsito. Uma ponte estrangulava a passagem
dos carros e a coisa andava tudo muito lentamente. Eram então
12:30horas quando chegamos no lado venezuelano e iniciamos os
papéis para nossa permissão. O carimbo para o visto conseguimos
não ali no local de fronteira e sim dentro da cidade de Aan
Antonio (um tanto meio incoerente com a bela construção e
espaço sobrando nesta aduana) retornamos e aguardamos até as
duas horas, para que abrisse o setor que faria a documentação
para o carro. Foi-nos exigido que comprovássemos que tínhamos
seguro válido na Venezuela. Como havíamos feito uma extensão de
perímetro, foi nossa salvação. Retornamos ao carro para
encontrá-lo em meio a bagagem que se avoluma. Estava lá. Várias
corridas ao xerox e carimbos, e pouco a pouco fomos vencendo esta
barreira. Queremos fazer uma menção ao colega venezuelano
chamado Jaime, que muito bem nos atendeu, orientando-nos como
fazer a documentação. Jaime nos levou até a delegacia de
trânsito para mais um carimbo e fiscalização do carro.
Aproveitamos o momento e compramos uma bandeira da Venezuela. Já
estávamos perto das cinco horas quando trocamos alguns dólares
em bolivares (moeda da Venezuela), com o próprio Jaime, foto e
trocas de endereços fizeram nossa despedida. Já estávamos
agoniados e prontos para partir em busca de um hotel. Apesar das
sete horas de trâmites Colômbia e Venezuela, tudo foi se
resolvendo. Valeu e obrigado Jaime.
Começamos a
entrar na rodovia que se dirige a San Cristobal rumo ao oriente,
como dizem, isto é ao leste, quando mais uma vez fomos abordados
por um militar que nos interrogou fazendo-nos parar para exame de
documentos e intenção de viagem. Nunca havíamos visto, até
então uma quantidade tão grande de militares espalhados pela
cidade. Há vários pontos que são chamados de puestos de
controle, onde encontramos esses militares armados e conferindo
documentos e bagagem. O tempo foi passando e subimos talvez uma
das últimas montanhas da cordilheira em direção a próxima
cidade. Estávamos quase sem combustível, e havíamos passado por
quase dez postos de combustível e nenhum deles tinha diesel.
Informavam que sempre mais adiante encontraríamos. A luz
indicadora de reserva estava acessa e quando finalmente veio a
salvação onde encontramos o diesel: uma gasolineira no pé da
montanha. Tudo tranqüilo até então, quando mais um susto nos
foi pregado. Nova parada de policiais quando avistaram nosso carro
cheio de adesivos, que provavelmente foi o que lhes chamou a
atenção. Foi este m momento onde nossos decalques nos
prejudicaram. Pois bem o policial de forma arrogante e sem muita
conversa, empossado em seu uniforme e embebido com a sede do poder
começou a dizer-nos que nossa carteira de habilitação não era
válida e pediu-nos a internacional. De pronto lhe entregamos.
Não contente disse-nos que nosso visa autorização era simples e
exigia outro. Aquilo estava desconexo com nossos conhecimentos.
Fez cara feia quando viu meu passaporte com o visto do Canadá e
achou ruim que o passaporte tinha validade até 2005. Realmente
não entendemos. Parecia querer achar alguma coisa. O sangue
começou a ferver. Calma e calma era a ordem do subconsciente.
Disse-nos então que saíssemos do carro, de certa forma
grosseira, e falássemos com o comandante. Em seu pequeno
escritório estava lá o superior. Óculos escuros e panca de dar
inveja, dizendo: seguro, carteira, autorização do veículo,
habilitação. Todos os documentos a mão, e comecei a falar
calmamente, identificando nossa profissão, intenção de viagem,
nacionalidade. O comandante amenizou o tom da conversa. Talvez
avaliando nossa origem e boa intenção. Reconheceu o erro do
outro policial, pois disse-lhe que o mesmo cometera um engano
querendo invalidar a importância da carteira de habilitação do
Brasil. Foi realmente momentos de tensão. Saímos ilesos, mas
extenuados com tantas explicações durante o dia.
Continuamos
viagem, e mais um momento trágico a nossa frente. Um acidente
grave envolvendo um micro ônibus, um carro e uma moto. Estava
lá, estirado ao asfalto, vítima fatal, um rapaz. Seu braço
desprendido do corpo fazia a cena fúnebre com ambulâncias
chegando e mais policiais orientando o trânsito na rodovia. Um
dia de bruxas.
Um momento bom, foi quando encontramos à
beira de estrada um hotel. Estávamos dispostos a parar em
qualquer um que se avistasse. Restaurante ao lado e fizemos um
jantar com pollo a milanesa e papas fritas. Os nervos se
acalmaram. Uma cerveja, um papo com as funcionárias do hotel e
tudo voltou ao normal. Amanhã um outro dia. Boa noite amigos.
|