Às seis horas já estávamos na estrada para podermos
rodar uma boa quilometragem. Após poucos km o carro começou a
falhar entre a terceira e quarta marcha, perdendo quase totalmente
sua potência. Foi preocupante naquele momento, uma vez que
estávamos no domingo. A decisão foi voltar a cidade de Isabela e
ir até um posto de gasolina, onde o gerente indicou-nos um local
que vende acessórios para carro que iria abrir às 8:30h. Assim
aguardamos e compramos um aditivo para o combustível na
esperança que fosse sujeira no diesel e assim solucionar o dito
problema. Fizemos uns testes andando ali nas imediações, mas
nada de o carro melhorar. Começamos a refletir mais um pouco e
aí veio um estalo da possibilidade de trocarmos o filtro de
combustível, pois tínhamos um de reserva. Compramos uma chave
especial para podermos retirá-lo e assim fizemos. Christian saiu
então com o carro para testá-lo, quando neste instante aparece
um senhor com uma caminhonete e dois cachorros de acompanhantes.
Seu nome era Ford e ele devia pesar uns 150Kg. Perguntou-nos se
nos podia ajudar. Expliquei-lhe o problema e ele assim mesmo
ofereceu-nos sua casa para podermos tomar um banho ou
descansarmos, se assim quiséssemos.
O convite na hora soou um pouco estranho, porque o mesmo
insistia em ser gentil. Disse-lhe que meu irmão estava vindo com
o carro e dependendo do que ocorreria daríamos nossa resposta.
Felizmente o carro ficou bom. Foi um alívio.
Demos uma bandeira do Brasil para o Senhor Ford e contentes
pela solução do carro, resolvemos ceder ao convite do mesmo,
para conhecer sua casa. Acompanhamos seu carro até chegarmos.
Subimos um pouco de montanha, mas nas imediações da cidade. Ford
vivia em uma casa de madeira e disse-nos que era escritor da
cidade, relatando os acontecimentos que ali aconteciam. Sua casa
era totalmente desorganizada. Mas tinha todo conforto básico
necessário. Vivia sozinho e seus pais já haviam morrido. O mesmo
devia ter cerca de 47anos. Novamente disse-nos que podíamos tomar
uma ducha ou um banho de banheira Jacuzzi que estava numa varanda
da casa. Achei estranho, pois parecia um reservatório de água,
mas quando ele a destampou e ligou os jatos, vi que era realmente
uma banheira. Tomei a decisão. Fui ao banheiro tomar então uma
ducha. Enquanto isso o Christian fazia companhia para o Ford que
resolveu passar uma mangueira em nosso carro limpando-o um pouco.
Após isto quem foi para a ducha foi meu irmão.
Mais alguns minutos de conversa e Ford convidou-nos para
conhecermos o outro lado do lago, onde havia uma região
turística. Disse-nos que era perto e de fácil acesso. Por toda
sua gentileza não o contrariamos, acompanhando-o cada um de nós
em seu carro, juntamente com seus cachorros.
Era uma região
bonita e havia também um riacho com corredeiras onde as pessoas
faziam rafting e bóia-cross. Tiramos algumas fotos e dali mesmo,
após nos despedirmos de Ford, seguimos rota para o Parque das
Sequóias. Depois de inúmeras curvas chegamos a entrada do parque
e começamos a visitação por volta de 16: 30h.
As sequóias são
realmente gigantescas e parecem ainda maiores quando se chega
perto delas ou as tocamos. Assemelham-se aos nossos pinheiros.
São centenárias e têm coloração avermelhada em seu tronco e,
por isto, chamadas de Redwood. É preciso ver para crer.
O tempo passava nesse dia longo e
cheio de adversidades. Nossa idéia inicial era ficarmos em um
camping, nos três em que fizemos contato havia avisos e fotos de
ataques de ursos do parque. Ficamos assustados e não permanecemos
ali. Tocamos viagem noite adentro até encontrarmos uma "rest
área" à 1:00h da madrugada. Ali foi o ponto de parada, bem
próximo da cidade de São Francisco. foi um dia intenso, mas com
final feliz.