DATA: 13 de Setembro de 2003
            TRECHO PERCORRIDO:
Chururu » El Sombrero (VENEZUELA)
          KILOMETRAGEM: 660 Km
      CONSUMO DIESEL: 67 litros
   CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Nublado e Chuva

              Estamos no sábado, e gostaríamos de registrar que ultrapassamos a marca de 40.000 km. Verificamos que com esta quilometragem é possível dar a volta ao mundo em seu perímetro na linha do equador. Curiosidades de quem está na estrada.

O dia de hoje está reservado para tentarmos conseguir rodar o máximo de quilometragem possível. Isto porque, devido aos trâmites e longas paradas para fazê-los, estamos com um pequeno atraso em nossa programação. As distâncias têm sido muito grandes e apesar do esforço o rendimento não tem sido muito bom. As estradas não tem ajudado muito até agora.

Começamos às 7:30horas da manhã, após nos despedirmos da atendente do hotel, senhorita Iris Koromoto. A estrada melhorou bastante nas primeiras horas, o terreno agora é plano, e isto por si só já é uma grande ajuda para nós e para o carro. Falando em carro, continuamos ainda com um problema elétrico de menor importância: não podemos usar a seta dianteira e traseira pisca pisca. Não encontramos alguém ainda que possa resolvê-lo. Vamos ver mais adiante.

Em certo momento da viagem nos surpreendemos com uma auto pista de alto nível, onde percorremos por cerca de quase duas horas. Foi uma delícia percorrer por ela. Segurança e descanso ao volante. Os pedágios são muito baratos. São abundantes, mas baratos. Barato mesmo, e quase difícil de acreditar é o diesel ou gasoil, como chamam os venezuelanos. Para enchermos o tanque da Toyota, que são 70 litros, gastamos nada mais nada menos que 6 reais. Isto mesmo, seis reais. No Brasil gastaria cerca de 110 reais. Incrível!

No trajeto de repente fomos abordados por uma tempestade, que chegou a inundar várias partes do asfalto. Um perigo à vista, que proporcionou dois acidentes pelos quais logo passamos. Muita cautela e pequena parada aguardando a calmaria. A estrada piora em vários momentos. Com buracos e crateras profundas que detonariam qualquer suspensão. Já estamos debilitados em um amortecedor, por isto os olhares foram redobrados na atenção. Mesmo assim às vezes era impossível evitar.

Uma curiosidade, até então não vista, foi observar durante a travessia de algumas lombadas em frente as pequenas cidades, senhoras e moças oferecendo um copinho de café aos motoristas que pelas lombadas passavam. Em troca de alguns poucos bolivares. Junto a elas, feirantes e vendedores de produtos diversos: abacate, queijos, pães, verduras, coco, banana e muitos outros. É o comércio à beira do asfalto.

Paramos então para almoçar em um restaurante à beira de estrada. A chuva e o tempo nublado estava ali nos acompanhando. Foi um bom relax após horas de estrada. Alguns senhores que ali estavam almoçando conversaram conosco dando suas impressões sobre a Venezuela, lugares que deveríamos visitar e também opinião sobre seu presidente Hugo Cesar Chaves. Parecem detestá-lo, e estão aguardando o novo presidente interino que deverá assumir dentro de seis meses. Disseram-nos que o Lula não deveria apoiá-lo tanto e vir a Venezuela ver o sofrimento que seu povo esta passando. Coisas da política. Vamos ver o final da história.

Para encerrarmos o dia com mais umas paradas de vistoria, quatro policiais nos pararam para vistoria de documentos. Tudo estava certo, mas pediram-nos alguma ajuda: comida, camisa nova ou calçado. Parecem não ter vergonha nenhuma. Demos então para sairmos da situação, uma camiseta amarela do Ronaldinho.

Já chegando ao destino final, contávamos algumas piadas, quando nos distraímos e passamos em velocidade além da regulamentada em frente a um posto militar. Três ou quatro militares levantaram as mãos e de pronto nos mandaram parar. A espinha gelou, com a besteira que tínhamos feito. Um deles veio ao nosso encontro e solicitou documentos e perguntou porque estávamos ligeiro, isto é além de 40km por hora. Confessamos a distração e antes mesmo que viesse outras interrogações ofertamos por baixo dos panos mais uma santa camiseta da seleção brasileira. Feliz o soldado nos liberou. Ufa! Escapamos por pouco.

Às seis e meia paramos em El Sombrero. O dono do hotel é um português que vive aqui já há 42 anos. Ao entrarmos no quarto o ar condicionado parou de funcionar e foi uma hora aguardando que o português e seu funcionário fizessem o mesmo funcionar. Por sorte funcionou, está quente apesar da chuva. Amanhã seguiremos mais ao leste rumo a cidade de El Tigre e Ciudad Bolivar. Grande abraço.

   

Abraços                                  

Charles e Christian Dadam