De Seattle (estado de Washington) saímos às oito e meia
da manhã. Hoje é quarta feira. Continuando na Rota 5 chegamos ao
Canadá às 12:30h. Foi muito tranqüilo e perdemos na aduana
apenas trinta minutos. Eficiência, agilidade e simpatia resumem o
atendimento dos canadenses na fronteira. Apenas perguntas de praxe
sobre a viagem e vistoria das bagagens e estávamos liberados para
entrar neste enorme país com apenas pouco mais de trinta milhões
de habitantes, e primeiro mundo.
Passamos em um posto de informações por perto onde
pegamos mapas para seguirmos até a cidade de Vancouver. Por lá
demos uma rápida passada e reconhecendo a cidade através de
postais que tínhamos em mão. Uma cidade portuária de grande
porte, considerada uma das melhores cidades para se viver. Possui
as estações bem definidas e temperaturas amenas. Praias,
montanhas, neve e sol. Vancouver foi recentemente eleita a cidade
sede para realizar os Jogos Olímpicos de Inverno. Por isto está
toda enfeitada com motivos dessa conquista.
Um pouco mais de 100km estávamos passando pela área
turística de Whistley. Famosa por suas estações de esqui que
permanecem o ano inteiro. Resolvemos entrar na cidade para darmos
uma olhada rápida. Estava bastante movimentada por jovens,
praticantes de snow board e bicitrail. Logo perto havia um
teleférico que transportava os turistas. Ficamos com vontade de
subirmos a montanha, mas era tarde e estava fechando. Era uma hora
só de subida sem parar no ponto mais alto. Talvez na volta
possamos visitá-lo, assim pensamos. Whistley é um lugar de
férias para todo o povo americano que gosta de esporte de
inverno.
A paisagem na Rota também é coberta de pinheiros, porém
não tão verdejante quanto nos EUA por serem áreas cobertas de
neve no inverno, o que faz sofrer um pouco essa vegetação.
Muitos lagos, campings (trailer), campground (para barracas) e
paradas para turistas, como parques e zonas de interesse.
Chegamos à cidade de Lilloet. Pequena e simpática com um
rio cortando seu centro. Antiga área de extração de ouro. Ao
abastecermos o carro fomos abordados por um morador com sua filha
de 8anos e esposa, em um a caminhonete velha. Pareciam ter estilo
hippie. Ao saberem que éramos brasileiros identificaram-se como
portugueses e diziam já estar ali por 16 anos. Começaram a falar
o português um pouco atrapalhado com o inglês. Tinham saudade de
sua língua, pois há anos não mais tinham contato. Ofertamo-lhes
uma bandeira e muito contente deu-nos um entalhe de madeira, pois
o mesmo era marceneiro. Convidaram-nos para conhecer a cidade.
Como estavam de mudança de casa disseram que podíamos estar ali
na nossa volta. Curiosamente no final da conversa perguntaram-nos
se queríamos partilhar alguns momentos com o uso de cocaína.
Disseram-nos para não ficarmos ofendidos, pois era muito normal,
cerca de 25%, segundo ele, das pessoas consumem drogas. Recusamos
o convite educadamente nos despedimos em seguida.
Fomos então a um campground armarmos nossa barraca. Antes,
porém compramos alguns mantimentos para o jantar. Não havia
ninguém para fazer nossa inscrição no acampamento, mas assim
mesmo nos instalamos. Estávamos à beira do rio, com banho quente
e paz de espírito.