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DATA: 16 de
Setembro de 2003
TRECHO PERCORRIDO: Boa Vista (BRASIL) » Manaus (BRASIL)
KILOMETRAGEM: 700 Km
CONSUMO DIESEL: 77 litros
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Sol
Fazendo um adendo ao diário do dia anterior gostaríamos de
comunicar que estamos completando exatamente 100 dias de viagem.
Continuamos dentro de nosso planejamento de conclusão desta
expedição, que está estipulada para até 120 dias.
No hotel em Boa
Vista conhecemos alguns hóspedes que nos deram informações
importantes sobre a travessia de balsa através do rio Amazonas
que vai de Manaus até Belém. Não temos certeza ainda de quantos
dias precisaremos para esta travessia: 3, 4 ou 5 dias são o que
tem nos informado. Ao chegarmos em Manaus e que poderemos ter
melhores informações. Sabemos que o calor é intenso e
quantidade de mosquitos parece ser absurda. Muitos tem nos
assustado com respeito a isto. Vamos ver. Deveremos provavelmente
dormir em redes dependendo do barco que fará a travessia. Tudo
bem a aventura continua, e agora é hora de conhecermos um pouco
mais do Brasil. Não podemos esmorecer nestes momentos finais. É
o que pensamos.
Pois bem, saímos
após o café da manhã. Por sinal o primeiro e mais decente café
da manhã de toda esta viagem. Simplesmente não há este serviço
nos hotéis da América Central e América do Norte para os
hóspedes. Pelo menos incluído nas despesas como aqui em nossa
terra e mais que comum. Saímos às 8:00 horas da manhã, com
tempo bastante bom. Nosso destino hoje é Manaus. Serão até lá
720 km. Percorremos 250 km até a cidade de Rorainópolis onde de
repente reduzimos a velocidade por avistarmos alguns carros e
caminhões parados a nossa frente. Uma imagem contrastante com o
que tínhamos visto até agora, onde tranqüilamente transitamos
em uma rodovia calma e sem muito movimento. Ao nosso lado uma
estação rodoviária e um posto de gasolina com restaurante
anexo. O que era aquilo, ou aquele movimento: era uma
paralização, ou melhor uma interdição da rodovia por
fazendeiros e proprietários de terras que se manifestavam contra
o INCRA que em ações judiciais estava tentando fazer o despejo
de ocupantes de terras não adquiridas legalmente. A nosso ver
após conversarmos com alguns, parece que os dois lados tem
razões explicáveis, porém um impasse estava consolidado. Não
havia previsão desta paralização que impedia o acesso até
Manaus. Perderíamos o dia todo ali ou mais. Eram 12:00 horas e
restavam ainda quase 500 km até chegarmos a capital do Amazonas.
Bateu um leve desânimo. Pessoas paradas, caminhões e máquinas
fechavam a estrada, com faixas sinalizando o manifesto.
Fotografamos a cena e aguardamos ali o desenrrolar dos
acontecimentos. Alguns diziam que o movimento iria até às 17:00
horas. De repente um motoqueiro vendo nosso carro chegou
sorrateiramente e disse-nos que poderia tirar-nos dali através de
um atalho no meio do mato. Topamos a idéia. Fui de moto
reconhecer primeiramente o terreno se era seguro e possível
passarmos com a caminhonete. O rapaz era moto táxi e lá fomos
atravessando matos e poças de lama, e também ingressando em
terrenos de vizinhos. Vimos que era possível passarmos. Então
nos dirigimos até ao carro disfarçadamente para que ninguém
soubesse de nosso plano, pois o movimento era forte e podia gerar
revolta de alguns e sabe-se lá a reação desses. Seguimos a moto
e atravessamos todas as trilhas, com buracos, lama, árvores
caídas no caminho, um caminhão que tentava interditar a rota,
passamos por um matagal, por terrenos de nativos e em vinte
minutos lá estávamos de novo no asfalto, porém agora do outro
lado, saindo de todo aquele alvoroço. Pagamos dez reais ao
motoqueiro mais um camiseta e estava resolvido nosso assunto. Eram
14:00 horas e agora nos dirigíamos sozinhos com a estrada só
para nós - 500 km para Manaus. Foram momentos de aventura e
perigo ao mesmo tempo. Um detalhe: alguns pensavam que éramos
filhos de políticos influentes. Porque viam nosso carro todo
enfeitado e achavam talvez que tivéssemos muito dinheiro, o que
lhes gerava uma certa revolta. Foi o que presenciei com três
deles que me abordaram. Tive que afirmar nossa intenção de
viagem e nossa profissão, dissendo-lhes que apoiávamos o
movimento. Alguns momentos de tensão, mas tudo resolvido com
conversa e raciocínio. Meu irmão também fora abordado por uns
tantos, e a mesma conversa se deu. Era necessário integrar para
não se entregar.
Passamos no caminho por uma
reserva indígena chamada de Waimiri Atroari. Placas indicativas o
tempo todo diziam para não pararmos no caminho. Siga em diante e
evite parar - Reserva Indígena. A reserva era enorme e por
vários quilômetros lá percorremos. Vez ou outra encontrávamos
indígenas no asfalto. Muitos igarapés perfilavam a rodovia e
embelezavam a rota. E assim fomos até chegarmos em Manaus. Já
era noite, porém relativamente cedo: 19:15 da noite. Nos
dirigimos ao centro da cidade e localizamos um hotel por
indicação de um simpático senhor, proprietário sócio de dois
hotéis aqui em Manaus. Ciceroneou-nos muito gentilmente, e
deu-nos informações sobre o local. Desenvolvemos uma gostosa
conversa por vários minutos. O nome do hotel era Kristal Hotel -
Irmãos Bulbol ltda. Por sinal muito bem localizado e de grande
conforto. Valeu a pena a parada. Estávamos a duas quadras do
famoso Teatro Amazonas, que fora reformado por completo e agora
faz parte das atrações turísticas de Manaus. Vamos visitá-lo
amanhã, com certeza. Ao proprietário deste hotel nosso muito
obrigado.
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