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DATA: 19 de
Setembro de 2003
TRECHO PERCORRIDO: Ria Amazonas - Via Fluvial (BRASIL)
KILOMETRAGEM: 0 Km
CONSUMO DIESEL: 0 litros
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Sol
A noite se passou em tranqüilidade com a balsa
percorrendo suavemente o rio. A majestade desse rio é
surpreendente e é preciso ver para crer. Seu volume de águas e
suas margens ricas de florestas, igarapés, e diversidade de flora
fazem-nos querer penetrar floresta adentro. Amanheceu e a novidade
de tudo em reverenciar aquele espetáculo da natureza deixava-nos
estupefatos de tanta riqueza.
O barco que nos
empurrava rio adentro era governado por sete pessoas. Eram três
comandantes, três homens operadores das máquinas e uma
cozinheira com seu filho pequeno de acompanhante. Um revezamento
entre eles era feito para que não houvesse paradas. O potente
motor funcionava ininterruptamente, uma maravilha da mecânica à
disposição do homem.
Fizemos uma
amizade muito gostosa e ao mesmo tempo importante por nos dar
informações valiosas a respeito do Rio Amazonas, seu percurso e
detalhes de uma vida inteira dentro de embarcações como esta que
ora estamos. Seu apelido é Zequinha, José do Carmo Gonçalves da
Silva, morador da cidade de Abaetetuba (Pará). Realmente uma
figura peculiar e única. Contador de histórias mil sobre suas
navegações pelo Amazonas e mundo afora em marinha mercante.
Alguém que nos fez parecer muito querido e engraçado pelos seus
trejeitos. Ele mesmo se diz semi analfabeto, porém tem em seu
camarote um dicionário que diz ser útil para falar com pessoas
mais ilustres. Por toda a viagem nos identificamos muito com
Zequinha e ele conosco.
Dentro da balsa
temos como falamos uma cozinheira que nos mandava avisar através
de um apito no momento em que tínhamos que nos dirigir ao
empurrador e sua cozinha. Isto dava-nos o ar de realmente sermos
tripulantes daquela embarcação. Café da manhã, almoço e
jantar tudo incluído no pacote de travessia. Comida simples,
porém saborosa. Tudo funcionava normalmente e íamos nos
acostumando ao ritmo das coisas.
Meditação, leitura, e jogo de dominó
faziam o passatempo. Conversas, histórias, piadas e entrosamento
cada vez maior com o passar das horas era algo que se concretizava
a cada instante de convívio. Uma nova cultura (dos caminhoneiros)
nos era agora familiar. Cerca de 20 pessoas donos de caminhões e
funcionários de empresas de transporte completavam a
tripulação. Apenas dois deles traziam suas mulheres. Ao final do
dia todos já nos conhecemos de uma forma ou outra. Mais um dia se
ia e a noite se aproximava fazendo-nos dormir, alguns em seus
caminhões, outros em redes, outros no chão da balsa. 21:00 horas
e um receio se aproximava com ondas e vento em frente da balsa.
Pegamos uma área de águas um pouco revoltas que nos fez ficar
tensos por duas horas ou mais. Nada de grave aconteceu, apenas o
medo tornou-se mais evidente por nossa inesperiência. Balanço,
água resvalando na proa da balsa, e carrocerias rangendo. De
noite era natural o temor, pois muitas histórias de balsas
afundadas já tinham sido contadas. Amainados os ânimos fomos
novamente dormir. Agora mais tranqüilos.
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