DATA: 21 de Setembro de 2003
            TRECHO PERCORRIDO: Manaus » Belém  - Via Fluvial
(BRASIL)
          KILOMETRAGEM: 0 Km
      CONSUMO DIESEL: 0 litros
   CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Sol

              Amanheceu. Mais uma manhã maravilhosa com o sol nascente ao leste despontando das matas amazônicas. Sua cor avermelhada destaca-se do céu azul e verdes das matas. Rapidamente sobe do horizonte mudando de cor e esquentando o ambiente assim como nossa balsa, que segue firme adiante. Estamos no terceiro dia de viagem e por curiosidade já atravessamos vários rios que tomam a posição de afluentes do Amazonas. Entre eles: Rio Tapajós, Rio Xingu, e agora entrando no rio Pará ao sul da ilha de Marajó. É necessário um desvio da rota agora do Amazonas para que consigamos chegar mais rapidamente a Belém, por isto o rio Pará é a alternativa correta. Para isto faz se necessário atravessar o famoso e temido Estreito de Breves ou também conhecido Rio do Furo do Tajapura. Trata-se de um rio mais estreito onde faz se o encontro das águas fluviais com as águas do mar, provocando o famoso fenômeno da Pororoca. Há um momento apropriado e hora certa para se atravessá-lo com segurança. Seu percurso dura cerca de seis horas. Se houver mau tempo ou entrarmos no auge da Pororoca existem relatos e fatos e embarcações que viraram e depositaram toda sua carga, caminhões e veículos no fundo do rio. Começavam então na barca a inundação de histórias e estórias a respeito disto. Cada um opinava e dava seu relato ou experiência própria a respeito do que deveríamos enfrentar.

Assim passaram-se as horas dentro da embarcação até aproximarmos do momento da travessia do estreito. Zequinha, o chefe de máquinas chegou a frente da balsa por volta de nove horas e disse-nos que iríamos adentrar ao estreito por volta de três horas da madrugada. O tempo estava bom e o comandante parecia estar em dia com seu cronograma de mares e travessia. Era preciso seguranças neste percurso. Seguranças armados com fuzis para garantir a integridade da carga e passageiros, uma vez que já houve assaltos a balsas devido a proximidade do rio com suas margens. Estes seguranças entraram no barco no final da tarde cumprindo o que haviam nos dito. Neste aspecto estávamos mais tranqüilos. Faltava ainda a travessia pelo estreito.

Fomos dormir, um pouco apreensivos esperando o que aconteceria pela madrugada. As horas avançaram, a embarcação seguia seu rumo e valente cruzava o rio. Algumas ondulações em poucos momentos nos acordavam, lembrando-nos do fenômeno da Pororoca. Pois bem, nada aconteceu de grave ou preocupante, conseguimos atravessar o Estreito de Breve com segurança. O comandante fizera o serviço perfeitamente. Aliviados continuamos nosso sono até o novo amanhecer. Mais algumas horas e estaríamos em Belém..

   

Abraços                                  

Charles e Christian Dadam