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DATA: 23 de julho de 2003
TRECHO PERCORRIDO: Behaver
Creek (Canadá) » Faibanks (EUA)
KILOMETRAGEM: 498 Km
CONSUMO DIESEL: 56 litros
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: Sol e Nublado
Hoje é
quarta-feira, e ao levantar-me bem cedo, resolvi caminhar e fazer
alguns exercícios, pois não tenho conseguido manter a
freqüência que estava acostumado, em minha cidade Brusque. Aqui
a gente faz o que pode. Esta é a regra. Às vezes até mesmo
dentro do carro. Meu irmão Christian me chama de louco, mas tudo
bem. Assim vamos indo, cada um com suas manias. No local há
várias casas de madeira e pequeninas igrejas, católica e
protestante, em frente ao asfalto, assim como estátuas de
esquimós, trenós, soldados e indígenas, que enfeitavam aquele
point de parada de turistas. Havia também um centro de
informações turísticas. Todos muito queridos e com simpatia
para dar e vender. Este aspecto tem muitas vezes me surpreendido,
pois nos deixa muito à vontade, para solicitar, perguntar,
conversar. É muito bom ter pessoas amistosas, principalmente
quando estamos longe de casa e muitas vezes a saudade começa
apertar. Falo sobre ela mais tarde. Este titulo (saudade) merece
um destaque a parte. Não é por menos que a palavra saudade,
dizem os literatos, só existe no português.
Estamos, para
curiosidade, no estado canadense chamado de Yucon. Este faz
fronteira com o Alasca.
Um outro fato que tem me
chamado à atenção. É quando pessoas ouvem eu e meu irmão
falarmos o português. Parece ser–lhes curioso, e de pronto
aproximam-se perguntando sobre nossas atividades, viagem,
interesse, quanto custa a viagem, como é longe, como é o Brasil,
nome da língua, e tudo mais. Tem sido interessante e bom ao mesmo
tempo. Cria-se facilmente amizades e contatos. Já perdemos o
número de vezes que presenteamos com bandeira ou camisetas. Neste
aspecto, modéstia a parte estamos preparados. Todos ficam
surpresos e contentes demais com os regalos ou gifts (presentes).
Em troca polimos a língua estrangeira e identificamos o que temos
que melhorar.
Seguindo a
Alasca-High-Way e com alegria e satisfação, identificamos a
placa da linha limítrofe entre Alasca e Canadá. Foi um suspiro
que saiu de dentro de nós. começava a tornar-se concreto nosso
sonho de chegar a last frontier (última fronteira). Aquela que
só sabíamos existir nos mapas escolares - o Alasca. Estava ali
de frente, um passo no Canadá e um passo no Alasca. Quase dois
anos de planejamento e sonhos para tornar viável essa viagem.
Estava ali de frente. Registramos com fotos e filmagem. Naquele
momento veio ao nosso encontro um ciclista alemão. Senhor de seus
55 anos ou mais, em boa forma. Ofereceu-se para fotografar-nos.
Fizemos reciprocamente as fotos. Seu inglês misturado com
alemão, e o meu inglês com português e espanhol fizeram a
salada, mas nos entendemos bem. Disse-me o mesmo que já tinha
percorrido 2500km e ainda ficaria por duas semanas a viajar de
bike. Parabenizei-o e sai dali pensando que não sou apenas eu o
louco desta empreitada. Há muitos outros. Fico contente com esta
constatação.
Na aduana, fronteira com
os EUA (Alasca), o policial responsável verificou nossos
passaportes como de praxe, algumas perguntas, e em poucos momentos
nos liberou desejando Very Nice Trip. Muito fácil, sem stress, e
um grito de alegria demos nós dois juntos, pois agora
oficialmente estávamos em território alasquiano.
A estrada continuava a
mesma, com vários pontos sendo consertada, e o pilot car - carro
de segurança presente, fazendo a segurança da rodovia .
Chegamos então a uma
cidade de nome North Pole, vizinha de Fairbanks, mais ou menos
25km. Esta é a cidade do Papai Noel oficial aqui do Pólo Norte.
Toda a cidade é permanentemente enfeitada com motivos natalinos,
mesmo fora da época. Na casa do Papai Noel, e ele está lá, com
barba branca natural, e tudo, vimos várias cartas de crianças de
todo o mundo, inclusive do Brasil. Há nesta casa um relógio
digital em contagem regressiva que anuncia os dias faltantes até
o natal. Tiramos fotos com o Santa Claus, porém sem sentar em seu
colo, é claro. Fotos para meu filho, e também para alimentarmos
nosso espírito infantil, que não se pode perder nunca é claro.
Para nós foi uma surpresa, esta cidade, pois até então não
tínhamos informações a respeito. Foi uma agradável descoberta.
Em um centro de
informações ali perto, localizamos no seu interior um mapa mundi
onde as pessoas que ali entram colocam um alfinete identificador
de seu país de origem. Só havia um brasileiro de Goiás. Então
mais dois brasileiros alfinetaram aquele mapa.
Chegamos em Fairbanks,
capital do Alasca, população de cerca de 40 mil habitantes.
Localizamos um campground de nome Tanana, onde fizemos nossa
parada oficial. O site custou U$9.
Demos uma volta por um
grande mercado e em seguida fomos a uma pizzaria, experimentarmos
a primeira pizza americana. Os proprietários eram turcos. Pizza
excelente, estilo Pizza Hut. Recuperamos algumas calorias. Foi
muito bom. Às 23:00h estávamos na barraca. Não havia
escuridão. Só o famoso sol da meia-noite.
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