|
DATA: 24 de julho de 2003
TRECHO PERCORRIDO: Fairbanks(
EUA ) ALASCA »
Deadhorse (EUA)
KILOMETRAGEM: 605 Km
CONSUMO DIESEL: 75 litros
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS:
Pela
manhã nos dirigimos pela rodovia expressa. Passamos pela cidade
de Fox. Foram cerca de 120km de asfalto e boa estrada. Quando se
inicia a famosa travessia para o extremo norte do Alasca via
terrestre, a estrada perde sua pavimentação e torna-se loose
gravel (pedra solta), uma espécie de brita, às vezes boa e às
vezes esburacada. Essa rodovia tem o nome de Dalton Highway. A
fama vem pelo pioneirismo dos imigrantes e a ousadia de ligar a
baía de Prudhoe até a capital do Alasca.
Paralela a esta
rodovia vê-se uma obra de engenharia espetacular, o Pipeline, que
nada mais é que uma tubulação de grande porte, com diâmetro de
quase um metro de oitenta, que leva óleo aquecido da baía de
Prudhoe até a cidade de Valdez, sul do Alasca (porto marítimo).
Este óleo serve de fonte energética aos EUA e foi necessário
todo este investimento devido à crise petrolífera que enfrentou
em 1967. Demorou somente três anos para ser construído e tem
comprimento de 800 milhas, ou cerca de 1280km. É realmente
fantástico ele cruzar montanhas, pastagens, pinheirais, riachos e
rios. E ao mesmo tempo enfrentar incólume os períodos de gelo no
inverno.
Ao meio-dia
cruzamos um ponto importante nesta rota de viajeiros. A Linha do
Círculo Polar Ártico, onde há uma espécie de placa e um
memorial ressaltando o início da linha demarcatória onde
principia o ártico = ponto de parada obrigatória para tirar
fotos e massagear o ego de afirmar que estivemos lá. Almoçamos
neste mesmo point, no momento que íamos partir, chegou uma
excursão muito animada de estrangeiros da Alemanha,
Tchecoslováquia, Polônia e também americanos. Abordaram-nos com
inúmeras perguntas, pediram para tirar fotos, pois estávamos
usando nossas bandeiras do Brasil. Conversei com um casal de
americanos e outros, enquanto meu irmão ficava nas fotos.
Recebemos um copo de champanhe cada um de nós, pois uma das
integrantes da excursão estava de aniversário. Foi divertido e
descontraído.
Chegamos então a
cidadela de nome Cood Foot. Ponto primordial para abastecimento do
veículo. Porque não haveria mais combustível até chegarmos a
última cidade ao norte – Deadhorse ou a baía de Prudhoe.
Encontramos ali, na própria bomba de combustível um senhor com
dois filhos adotivos, que se chegou identificando filho de mãe
brasileira, porém de Portugal, e que não falava o português a
mais de 40 anos. Ficou feliz por encontrar-nos e soltar o
português já alterado pela língua americana. No local havia um
pequeno hotel e camping, e ponto para tomada de café, ou
chocolate quente. Coisa muito comum e hábito freqüente dos
americanos e canadenses. Geralmente estes cafés, capuchino, café
com baunilha, café com creme, café com creme irlandês e etc
são servidos em máquinas (as wending machines) .
Pegamos então mais um
trecho de asfalto, o que nos deu um refresco pelos buracos que
estávamos enfrentando. Mas logo veio o loose gravel. Passamos
cerca de 100 milhas antes de chegarmos a Deadhorse. Era tarde. A
chuva não estava dando trégua. Paramos no meio da estrada, de
frente a um rio alimentado pelas águas do degelo das montanhas.
É incrível a quantidade de mosquitos presentes na área. Mesmo
com o clima frio eles estão presentes, e são grandes.
Pernilongos, se esta é a espécie, de tamanho avantajado e sem
cerimônia de atacar os pescoços ou o que tiver sangue por perto.
Tivemos que usar repelente para podermos dormir. Isolamos o carro
com toalhas para darmos a ilusão de noite. Aqui são 24horas de
luz como já afirmamos. O relógio biológico dificilmente se
ajusta. Preciso ajudá-lo. Assim o fizemos e fomos dormir no carro
mais uma vez. Não há camping por perto. Aventura também é
isto. No problem. Its ok.
OBS:
A paisagem mudou totalmente, sem a presença dos pinheiros. Agora
predominam as pastagens, algumas montanhas com picos gelados e em
degelo. Riachos criados com a neve derretida, a linha de tubos do
Pipeline percorrendo esse cenário, e a imensidão de terras
desocupadas. Os sem terra aqui fariam festa se gostassem do frio e
de trabalhar.
|